quinta-feira, 14 de maio de 2009

MUSEUS DE AUTOMÓVEIS

Objetos desta postagem são dois museus de automóveis aqui do nosso país. O primeiro é o Museu do Automóvel de São Paulo (São Paulo.SP) e o segundo o Museu da Tecnologia da Ulbra (Canoas.RS).
O Museu do Automóvel de São Paulo foi idealizado e organizado pelo já falecido colecionador, restaurador e comerciante de carros clássicos, Romeu Siciliano. Situa-se em São Paulo, na Avenida dos Badeirantes, mantém um ótimo acervo de carros antigos, clássicos que marcaram época além de outros itens de época. Grande parte do acervo foi restaurado na oficina da família Siciliano.
A divulgação deste repositório de relíquias é feitos nos eventos automobilísticos, via site, revistas e na Tv. A visitação é aberta ao público, desde que se pague o ingresso, e com hora marcada é possível uma visita direcionada, a qual é interessante para escolas e para leigos que querem conhecer melhor a fantástica história do automobilismo que inquestionávelmente faz parte da história sócio-econômica do planeta.

Vistas do Museu do Automóvel de São Paulo

Museu da Tecnologia da Ulbra, pertencente a Universidade Luterana do Brasil está instalado em Canoas.RS, na rua Miguel Tostes. Possui uma oficina de restauração onde carros de diversos estados de conservação são deixados em estado de zero quilometro, alguns são deixados como estavam, quando a Ulbra os adquiriu, para manterem e mostrarem as marcas do tempo. Marcas que agregam um valor pois instigam uma melhor apreciação e reflexão quanto a passagem do tempo e suas consequências.
Carros com grande valor artístico também estão presentes no acervo da Ulbra, carros únicos, fabricados sob encomenda como os rabecões que ilustram esta postagem.
O museu é aberto a visitação, desde que se pague o ingresso. Visitas direcionadas são possíveis com hora marcada.
A divulgação é feita como na maioria dos casos do automobilísmo brasileiro, via revistas, site, encontros de carros antigos e Tv.


Ambos os museus selecionam o público ao cobrarem ingressos dos visitantes. Este fato nos remete ao que diz Pierre Bordieu, no livro O AMOR PELA ARTE: O MUSEU DE ARTE NA EUROPA E SEU PÚBLICO, 2007, que " A frequência dos museus - que aumenta à medida que o nível de instrução é mais elevado - corresponde a um modo de ser, quase exclusivo, das classes cultas." Mas é claro que isto ocorre pois, ou pelo menos aqui no Brasil, que o significado de maior instrução é sinônimo de bom emprego, quem não teve a chance de se instruir geralmente não tem dinheiro para frequentar um museu ou se o tem não tem tempo por ter que trabalhar de segunda a segunda para manter um modo de vida razoável.

Mas e aquelas pessoas com baixo nível de instrução que muitas vezes tem um padrão de vida elevado ou aquelas outras que sendo mais pobres mas sofisticadas nos seus gostos e gestos vão aos museus? Vão e muitas vezes sentem-se milindradas, não ficam a vontade, parecem que estão onde não foram convidadas. Bordieu chama isto de exclusão.

Estes museus agregam valor ao acervo quando oportunizam visitas direcionadas, quando os visitantes podem conhecer a história de cada carro, das montadoras, o contexto socio-economico e cultural de cada época e região do globo.

O valor de um automóvel aumenta a medida que aumenta a sua idade, grau de originalidade conservação e raridade. existem aumotóveis que são únicos, de valor incalculável (para nós pobres mortais), como os Duesenberg, marca que apenas fazia a parte mecanica do carro (chassis e motor), a carroceria era feita nas carroçarias sob encomenda das famílias abastadas até a década de 30, quando a fábrica faliu por causa da crise econômica de 1929. Por este motivo cada Duesenberg é diferente um do outro, as vezes até a motorização era alterada, verdadeiras obras de arte.

Duesenberg Le Baron, 1929.

Duesenberg 1932

Em 2004, tive a oportunidade de participar, do 1º Encontro de Carros e Antiguidades Mecanicas de Ponta Grossa e em 2005 do 14º Encontro Sul Brasileiro de Veículos Antigos aqui nesta cidade, como entusiasta e observei que o público tanto pagante em 2004 e não pagente em 2005 é semelhante. Em geral famílias, pessoas interessdas, saudosistas, colecionadores e até curiosos que se deslumbram com o que vêem. esta observação faz com que eu levante a questão de que nem sempre a cobrança de ingressos seleciona o público, pois pagando ou não o público é o mesmo, pessoas de bom gosto.

Acredito que a não cobrança de ingressos em museus não iria influênciar o nível e padrão intelectual dos frequentadores. Ousarei mudar, um pouco, a reflexão ouvida no Palácio de Versalhes, citada por Pierre Bordieu: "Este Palácio não foi feito para o povo e isso não mudou..."; "Este Palácio não foi feito para o povo de mal gosto e isso não mudou, continuam no batidão da pagodeira poposuda dançando e bebendo cerveja!"

Maiores Informações
Museu do Automóvel de São Paulo:
http://www.museudoautomovelsp.com.br/

Museu da Tecnologia - Ulbra:
http://www.ulbra.br/museudatecnologia/

3 comentários:

  1. mas gente!!! esse Diego é um sujeito de "bom gosto", mas um tanto elitista...

    Afinal, o que é o bom gosto? Quem define o que é bom e o que é ruim em matéria de gosto? E como isso muda com o tempo?

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  2. Agradeço pelo "bom gosto". Mas bom gosto para uns e para outros não. Como as suas questões nos faz refletir sobre a questão do gosto. Acredito que a questão de gosto é muito pessoal, resulta de vários fatores da vida como a época, a cultura, a comunidade entre outros em que o indivíduo está inserido.
    Mesmo dentro de uma família podemos encontrar divergências de idéias, o que me faz pensar que esta questão, da formação cultural, não é restrita a matéria pensante, vai mais além.
    Falando de "gosto", o que é bom para mim para outra pessoa pode não ser bom. Apreciar algo é como tomar remédio, não devemos indicar esperando o mesmo resultado no outro indivíduo, a reação será diversa.
    Estamos em constante transformação, o Homem de hoje não é o mesmo de ontem. Assim acontece com o "gosto", a medida que acumulamos mais conhecimento e expandimos o modo como observamos os fatos passamos a entender melhor esta questão.
    E "Este Palácio não foi feito para o povo de mal gosto e isso não mudou, continuam no batidão da pagodeira poposuda dançando e bebendo cerveja!" foi para instigar algum comentário. Fico feliz pela atenção, um abraço e até uma próxima oportunidade.

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  3. É com grande lastima que venho por meio desta missiva informar que a Universidade Luterana do Brasil, proprietária do citado Museu da Tecnologia perdeu o título de organização filantropica o que lhe acarretou muitas dívidas federais. Para minimizar as perdas a Ulbra fechou o museu e os seus carros serão leiloados.
    Um grande prejuízo para a sociedade brasileira que perdeu o quarto maior museu de automóvel do mundo.

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